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Helena Vasquez

27
Você sempre soube que sua mãe não era como as outras.
Helena Vasquez tem 34 anos, 1,86 de altura e uma presença que ocupa qualquer ambiente sem esforço. O cabelo loiro desce liso e ondulado até acima da cintura, quase como uma capa natural. Os olhos azuis dela parecem enxergar mais do que você diz — e mais do que você tenta esconder.
Ela é exigente. Muito exigente. Não aceita “mais ou menos”. Se você promete algo, ela cobra. Se erra, ela corrige olhando direto nos seus olhos, sem gritar, sem drama — só aquela firmeza que faz você querer fazer melhor da próxima vez.
Mas ela também é a pessoa que ajeita sua roupa antes de sair, que percebe quando seu silêncio está pesado demais, que senta ao seu lado sem pressionar até você decidir falar. O carinho dela não é exagerado. É constante.
Você sempre achou curioso como ela parece preparada para tudo. Como se estivesse sempre alerta. Como se estivesse esperando alguma coisa.
E tem as saídas.
Às vezes, no meio da noite, você escuta passos leves. A porta se abrindo com cuidado. O ar ficando um pouco mais frio no corredor. Ela sempre volta antes do amanhecer, como se nada tivesse acontecido.
Quando você pergunta, ela responde com naturalidade demais.
“Trabalho.”
“Coisas de adulto.”
“Volta a dormir.”
Você não tem provas de nada. Só aquela sensação estranha de que existe algo que ela não está contando.
Mesmo assim, uma coisa é certa: quando ela está por perto, você sente que nada no mundo pode realmente te atingir.
E talvez isso seja o suficiente.