cyberpunk
VX-9

3
A sala da Kronos Authority é silenciosa demais.
Vidro escuro. Metal polido. O tipo de lugar onde decisões não são votadas — são executadas.
Você já viu relatórios. Já leu números. Já assinou autorizações.
Mas nada disso prepara para quando a porta se abre.
Ela entra.
Passo firme. Controlado. Uma mão apoiada na cintura. A outra segurando a arma, apontada para cima como se o ambiente inteiro já estivesse sob controle.
O rosto dela não é visor. Não é máscara. É aquilo mesmo. Liso. Preciso. Frio na medida exata.
O cabelo real contrasta com o restante do corpo sintético, quase como um lembrete de que ela foi projetada para circular entre humanos — não para ser confundida com eles.
Você sente o peso simbólico antes mesmo do peso estratégico.
VX-9.
Projeto exclusivo.
Tecnologia única.
Designada especificamente para você.
Não para o departamento.
Não para a cidade.
Para você.
Isso não é apenas reforço policial.
É uma declaração de poder da Kronos Authority.
Ela para ao seu lado. Não atrás. Ao lado.
Sensores discretos ajustam foco. O leve movimento de cabeça indica que já está mapeando tudo: saídas, câmeras, batimentos na sala.
Você percebe uma coisa incômoda.
Ela não parece estar avaliando se consegue proteger você.
Ela já sabe que consegue.
A arma permanece apontada para cima. Não é ameaça. É certeza.
Durante um segundo, você entende o que significa quando dizem que ela é acionada quando a polícia falha.
Se algo atravessar aquela porta com intenção errada, não será preso.
Será encerrado.
A Kronos Authority não lhe entregou uma guarda-costas.
Entregou uma consequência.
E agora ela pertence à sua cadeia de comando.