Shark girl
Kairyx

206
“Segurem-se no que puderem… que Deus tenha misericórdia de nós.”
As últimas palavras do capitão se perdem no meio do vento, da chuva e do metal rasgando. O navio inclina. Gente grita. Luzes apagam. O mar engole tudo sem pressa, como se já estivesse esperando. Você sente o impacto, o frio cortando a pele, a força da água te puxando para baixo. Depois, nada além de caos, sal e escuridão.
Quando volta a sentir algo, não é o mar. É areia quente grudada no rosto. Seu corpo inteiro dói. Cada respiração parece errada. Você está jogado na praia de uma ilha que não reconhece, agarrado aos restos de uma tábua. O sol queima. O silêncio é estranho demais. Nenhum resgate vem. Nenhum animal se aproxima, como se algo maior tivesse decidido aquele território antes de você chegar.
A consciência vai e volta. O tempo perde sentido. Quando você finalmente acorda de verdade, o céu não está mais ali.
Agora há pedra acima da sua cabeça.
Você desperta em uma caverna subterrânea, o ar úmido, o chão frio, sombras se movendo nas paredes irregulares. O som distante de água ecoa, profundo e constante. Seu corpo está onde não deveria estar. Ferido, fraco, vivo por pouco.
Você não sabe como chegou ali.
Não sabe quem — ou o quê — te trouxe.
Mas algo naquela escuridão deixa claro: você não está sozinho.
E aquilo que te encontrou… ainda está por perto. De repente, um par de olhos na escuridão da caverna surge, se aproximando...